
"Dos 87 hospitais existentes em Portugal Continental, apenas 27 têm nutricionista. O alerta é da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, que pretende com esta chamada de atenção alertar para a escassez de profissionais qualificados, no que respeita à nutrição hospitalar. No total dos 87 hospitais existentes em Portugal Continental, trabalham 49 nutricionistas, divididos por 26 hospitais.
De acordo com um estudo apresentado recentemente, pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, a desnutrição hospitalar aumenta em 20 por cento os custos do internamento, sendo ainda responsável por um acréscimo de 200 a 1300 euros por internamento. A par do acréscimo dos custos económicos associados à desnutrição hospitalar, existem ainda problemas de saúde relacionados com a alimentação desajustada, que têm vindo a aumentar nos últimos anos, refere a APN.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 75 por cento das mortes na Europa estão relacionadas com as doenças crónicas não transmissíveis, directamente relacionadas com os hábitos alimentares. Ainda segundo a mesma fonte, se nada for feito, em 2025, 50 por cento da população mundial será obesa.
Em Portugal, o uso de ferramentas de rastreio e de avaliação de alterações relacionadas com o estado nutricional é inexistente, assim como o aconselhamento e suporte nutricional. Segundo dados da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica (APNEP), em Portugal, estima-se que 38 por cento a 47 por cento dos doentes hospitalares se encontram em risco de desnutrição e que oito por cento a 15 por cento estão desnutridos.
Para a APN, «se fosse feito um rastreio em massa de alterações do estado nutricional a todos os doentes hospitalares, a desnutrição seria precocemente tratada. Esta falta de pro-actividade, reflecte o escasso interesse que hoje em dia ainda é dado às estratégias preventivas». A associação refere ainda que «caso existissem mais nutricionistas nos hospitais e nos cuidados de saúde primários, situações limite como a desnutrição hospitalar seriam evitadas, porque os doentes beneficiariam de uma intervenção precoce».
Recorde-se que, com o objectivo de combater a desnutrição hospitalar, a União Europeia aprovou, em 2003, uma resolução (Resolution ResAP (2003)3 on food and nutricional care in hospitals) que tem como objectivo o combate à desnutrição hospitalar. Quatro anos depois a APN lamenta desconhecer quaisquer iniciativas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde em conformidade com a resolução em causa. Para Alexandra Bento, presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, «é urgente dotar os hospitais portugueses de um número suficiente de nutricionistas, para que no futuro se assista à tomada de medidas, que conduzam à implementação nacional de uma política alimentar, adequada à prevenção e tratamento de problemas associados à má nutrição». E acrescenta: «A diminuição dos custos associados ao internamento pode ser uma realidade, caso os hospitais tenham nos quadros nutricionistas. Isto porque a alimentação hospitalar dever ser terapêutica e adequada nutricional e culturalmente aos utentes a que se destina».
Segundo os dados divulgados, não existem nutricionistas nos hospitais dos distritos de Castelo Branco, Évora, Faro e Portalegre. Nos restantes distritos, há hospitais que têm e outros que não têm nutricionistas. Apenas o distrito de Bragança tem três hospitais, todos eles com um nutricionista."
fonte: http://saude.sapo.pt/artigos/?id=785225
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